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Um instrumento valioso para os pais

Os especialistas em educação afirmam que matricular os filhos numa escola é das decisões mais importantes que os pais tomam na vida. Cabe a ela, a um só tempo, transmitir conhecimento ao jovem, inspirar sua escolha profissional e influenciar na moldagem de seu círculo de amizades. A escola interfere também na visão de mundo desse jovem e na forma como ele reagirá diante dos desafios da vida adulta. Curiosamente, não obstante as implicações dessa decisão, o colégio acaba sendo selecionado de forma predominantemente subjetiva, com certo ar de loteria. É claro que as pessoas buscam conhecer as instalações onde o filho vai estudar, lêem a respeito das instituições e conversam com amigos. Mas a dose de subjetividade permanece. Falta informação. Quem não terá descartado uma escola depois de ouvir um comentário do tipo "aquele colégio piorou muito de uns anos para cá", feito por um colega de trabalho?

Para aumentar a taxa de racionalidade dessa tarefa árdua, VEJA vem oferecendo aos leitores um trabalho que a imprensa brasileira jamais ousou realizar: um ranking com as melhores escolas particulares com ensino fundamental e médio. Esse trabalho já foi feito em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agora é a vez de Belo Horizonte. Trata-se de um levantamento que mobilizou mais de vinte pessoas, entre repórteres e pesquisadores, durante cinco meses. Para definir a lista com as melhores instituições da capital mineira, a revista preparou um questionário com 72 perguntas, resultado de uma centena de entrevistas com estudiosos do campo da educação, entre diretores de escola, especialistas de universidades e do governo, psicólogos e psicopedagogos. Há questões ligadas à qualidade do corpo docente, conduta pedagógica, instalações, disciplina e segurança. A aplicação do questionário ficou a cargo do instituto Ipsos Marplan, um dos mais renomados do Brasil. Responderam à pesquisa 97 das 107 escolas de Belo Horizonte que possuem ensino fundamental e/ou ensino médio completos, antigamente chamados de primário, ginásio e colegial. O resultado final é um ranking com as vinte melhores escolas em cada nível de ensino. O trabalho não reduz a angústia da escolha do melhor colégio para os filhos, mas oferece padrões técnicos de comparação que podem ser bastante úteis no momento da opção.

A seleção das melhores

Questionário elaborado com a orientação de mais de 100
especialistas em educação definiu o ranking

Para elaborar o questionário que selecionou as vinte melhores escolas de ensino fundamental e as vinte melhores de ensino médio da capital mineira, VEJA Belo Horizonte entrevistou mais de 100 autoridades no campo do ensino, entre diretores de escola, professores universitários, técnicos do Ministério da Educação, psicólogos e psicopedagogos. Foram procurados os melhores profissionais do Brasil. Perguntou-se a cada um deles quais são as características comuns das boas escolas. O resultado desse esforço foi um modelo de questionário com 72 perguntas – das quais trinta valiam pontos para o ranking – versando sobre corpo docente, pedagogia, instalações, disciplina e segurança e relações com os pais. Conheça os principais critérios empregados no trabalho:

1. As listas do ensino fundamental e do ensino médio concentraram-se apenas nas escolas privadas que oferecem ciclos completos. Há mais de 700 colégios particulares em Belo Horizonte. Alguns oferecem apenas a educação infantil; outros, até a 4ª série do ensino fundamental. Entre todas, 107 instituições têm o ensino fundamental completo, o ensino médio até o último ano ou ambos. Trata-se não apenas dos maiores estabelecimentos, mas também dos mais concorridos. Esse foi o grupo analisado por VEJA BH.

2. Escolas bilíngües ficaram de fora. Como essas escolas têm características muito particulares, os especialistas recomendaram que elas não fossem incluídas na comparação com as demais.

3. O questionário que sustenta o ranking é abrangente. Por orientação dos profissionais ouvidos por VEJA, foram elaboradas 72 questões, a maioria delas de caráter altamente técnico. Sobre os professores, por exemplo, foi perguntado a cada escola: "Qual é o porcentual do corpo docente que trabalha exclusivamente na escola?", "Com que freqüência eles se reúnem?", "Os professores têm acesso a jornais e revistas?". Sobre aspectos pedagógicos, procurou-se saber, entre outras coisas, quantos idiomas são ensinados, quantas aulas de línguas são ministradas por semana e qual é o limite de estudantes por classe.

4. Não se discutiu orientação pedagógica. Por sugestão dos especialistas, a pesquisa não se preocupou em analisar se a escola é liberal ou conservadora do ponto de vista pedagógico. Motivo: não há relação comprovada entre essa orientação e a qualidade do ensino.

5. Contratou-se um renomado instituto de pesquisa. Dadas a ambição e a responsabilidade do projeto, VEJA contratou o renomado instituto de pesquisas Ipsos Marplan para realizar o trabalho de campo e o processamento dos dados obtidos nas escolas.

Nas próximas páginas, você conhecerá o ranking, o perfil dos melhores colégios de Belo Horizonte e uma relação de reportagens especiais sobre o assunto. Aproveite. A matrícula dos filhos na escola não comporta amadorismos. Afinal, é ela que vai influenciá-los para o resto da vida.

Como foi feita a escolha das melhores

As condições de trabalho do corpo docente, suas qualificações e os equipamentos dos colégios definiram a classificação final

Quando decidiu realizar esse inédito ranking das melhores escolas particulares de Belo Horizonte, VEJA foi procurar 100 dos mais respeitados especialistas em educação do país. A lista dos profissionais consultados abrange pedagogos, educadores, autoridades do MEC, diretores de escola, orientadores e professores de reconhecido prestígio. A revista fez a todos eles uma indagação: quais são as características comuns aos bons colégios? Depois de entrevistá-los, foi possível elaborar um questionário com 72 perguntas. Montado o roteiro, VEJA voltou a procurar os especialistas – excluindo, dessa vez, os que tinham ligação direta com alguma escola – para que atribuíssem peso a cada um dos itens, de acordo com sua importância. Depois dessa etapa, foram selecionadas trinta perguntas bastante diretas que podem ser formuladas a todos os tipos de estabelecimento de ensino. Foram essas trinta questões que contaram pontos na elaboração do ranking final. As outras 42 não valeram para a classificação. Isso porque, embora fossem relevantes para traçar um panorama da rede particular de ensino da cidade, tratavam de temas que não influem diretamente na qualidade do projeto pedagógico ou que são difíceis de avaliar objetivamente. É o caso, por exemplo, das questões relacionadas com a disciplina. Não se levou em conta, no resultado do ranking, se a escola permite que os alunos entrem e saiam livremente das aulas, se o namoro é aceito, se o uniforme é obrigatório ou se os pais são avisados no mesmo dia em caso de falta. Afinal, esses fatores não indicam que a instituição é boa ou ruim.

Houve consenso em um ponto fundamental: o fator decisivo para a avaliação de um estabelecimento de ensino é o quadro docente. Mais do que salas espaçosas, ginásios cobertos, número de idiomas lecionados, a qualificação dos professores e as condições de trabalho que lhes são dadas pemitem medir o nível do ensino mantido pelas escolas. "Muitos colégios dispõem de computadores modernos, laboratórios bem equipados, piscina e belos auditórios", diz Noeli Weffort, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Mas, se não tiverem também um corpo docente eficiente e estimulado, nada disso adianta." Por isso, as questões referentes ao professorado ganharam o maior peso na tabulação dos resultados. A pesquisa tratou de levantar qual o salário deles, quantas horas remuneradas recebem para atividades de planejamento, há quanto tempo lecionam na escola. Também se perguntou com que freqüência se reúnem e qual o porcentual dos que trabalham em regime de dedicação exclusiva. A análise das respostas levou a conclusões importantes.

Descobriu-se que apenas dezesseis das escolas participantes pagam mais de 2 300 reais por mês a seus professores da 1ª à 4ª série. Nas demais séries do ensino fundamental e no ensino médio, os professores são pagos por hora-aula. Apurou-se que 25 escolas oferecem remuneração superior a 23 reais por hora de aula no ensino médio – e por isso mereceram pontuação maior nesse quesito. Outro item levado em conta na pesquisa foi a estabilidade do corpo docente. É inviável desenvolver um projeto pedagógico sério e consistente trocando boa parte do quadro de educadores a cada ano letivo. Aqui, foram bem pontuadas as escolas com professorado estável.
O segundo maior peso foi atribuído a questões que dizem respeito à pedagogia. Entre elas, figuraram as seguintes:

  • A escola tem um coordenador para quantos professores?
  • Qual a freqüência das aulas de artes?
  • Qual a freqüência das aulas de educação física?
  • Quantos idiomas são lecionados?
  • Há aulas de sociologia ou filosofia?
  • Qual o limite de alunos por sala?

O levantamento revelou que o Edna Roriz não coloca mais que trinta jovens em uma sala de ensino médio. Trata-se de um diferencial positivo. "As pesquisas mostram que é impossível dar aula utilizando métodos mais modernos em classes com quarenta pessoas", diz o professor Bernard Charlot, catedrático em ciências da educação da Universidade de Paris e uma das maiores autoridades do assunto.

Finalmente, com um peso bem menor, vieram perguntas sobre os equipamentos disponíveis – laboratórios de informática, física e química, ginásios de esportes – e sobre itens de segurança, como a existência de controle de acesso na entrada e a presença de inspetores no pátio durante o recreio.

O instituto Ipsos Marplan, contratado para aplicar o questionário, procurou todos os 107 colégios particulares da cidade com ensino fundamental, médio ou ambos. Destes, 97 responderam à pesquisa. As respostas foram fornecidas pelos diretores ou por funcionários designados por eles. São escolas com histórias, propostas e perfis bastante distintos. A diferença de pontuação entre elas é pequena, e todas que figuram na lista, independentemente da classificação, proporcionam a seus alunos um nível de ensino muito acima da média encontrada nos estabelecimentos particulares de Belo Horizonte.


Novas escolas se destacam

Projetos pedagógicos recentes também aparecem bem nos rankings das melhores da cidade

Fotos Nélio Rodrigues

Oficina de mosaico no Edna Roriz: formação para jovens empreendedores

Tradicionais colégios religiosos e grandes redes que fizeram o nome arrebatando altos índices de aprovação no vestibular encontraram seu lugar nos rankings da pesquisa VEJA Belo Horizonte-Ipsos Marplan. Mas não foram apenas essas grifes do ensino que obtiveram destaque. Projetos pedagógicos ainda recentes despontam como boas surpresas no panorama educacional de Belo Horizonte. Segundo colocado no ranking do ensino médio, o Colégio Edna Roriz está iniciando seu quinto ano letivo. Ocupando um prédio arrojado no Belvedere, acolhe uma clientela de alto poder aquisitivo com uma proposta inovadora. Seus alunos da 5ª à 8ª série do ensino fundamental e também os do ensino médio circulam por salas-ambientes, preparadas para atender a toda disciplina. Cada turma tem, no máximo, trinta alunos, um limite que a diretora da escola, Edna Roriz, faz questão absoluta de manter. "A própria arquitetura do prédio não permite que as paredes entre as salas possam ser derrubadas para abrigar turmas maiores", conta. Mas o mais importante é que Edna conta com um corpo docente estável, qualificado e bem remunerado.

A criação do colégio foi resultado de uma experiência de vinte anos de ensino. Formada em química, física e matemática, a professora ficou conhecida por seu disputado cursinho pré-vestibular. Chegou a matricular 400 alunos por ano. Agora tem apenas 150, com listas de espera até 2006. "Percebi que aqueles jovens, provenientes das melhores escolas da cidade, apresentavam lacunas sérias em sua formação", analisa Edna. "Estavam recebendo exatamente os mesmos conhecimentos que seus pais, vinte anos antes." No início dos anos 90, botou a mão na massa. Saiu pelo mundo visitando escolas, da Itália à Nova Zelândia. Obteve um financiamento do BNDES e em 1998 recebia suas primeiras turmas. "Matriculei meu filho, Carlos Alberto, na 8ª série, no ano de fundação", conta a professora aposentada Eliane Chamone. "Ele tinha problemas para se adaptar em outras escolas, mas lá suas potencialidades foram estimuladas e seus limites, respeitados." Carlos Alberto passou, no ano passado, nos vestibulares para arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH).

Um dos diferenciais do Colégio Edna Roriz é a carga horária, que começa com 29 horas semanais, o que ocupa os alunos todas as manhãs mais duas tardes por semana. No 3º ano do ensino médio, os estudos acontecem em tempo integral. Há aulas de ética em todas as séries. No ensino médio, entram também filosofia, estética e os encontros de orientação vocacional. Desde a 5ª série o inglês é ministrado com as turmas ainda mais reduzidas, divididas por nível de conhecimento. Na 6ª, o espanhol torna-se obrigatório. "Nosso objetivo é dar fluência nos dois idiomas", diz Edna. De tarde, garotos de várias séries convivem em oficinas de música, dança, fotografia, mosaico, fabricação de velas e até mesmo de produção de cosméticos. "Nosso objetivo é ensinar o aluno a ser um empreendedor, uma pessoa que busca formas diferentes para resolver seus problemas", resume Edna.

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